Biografia. | Sobre este tumblr.

12 de setembro de 1948 - 25 de fevereiro de 1996. Santiago do Boqueirão, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Estocolmo, Londres. Dramaturgo, escritor, jornalista.

Por @odharacaroline | meu tumblr

Cartas | Pequenas Epifanias | Pedras de Calcutá | Morangos Mofados |Inventário do Ir-remediável | Os Dragões Não Conhecem O Paraíso | O Ovo Apunhalado

Vera e Henrique,
                meus queridos: imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera e Henrique Antoun)

Vera e Henrique,

                meus queridos: imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera e Henrique Antoun)

Mar 30th at 12PM / tagged: Caio Fernando Abreu. cartas. / reblog / 34 notes
Amo, amo você todo esse tempo que a gente ficou perdido eu aqui no Sul você aí no Centro eu não esqueci nunca.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Amo, amo você todo esse tempo que a gente ficou perdido eu aqui no Sul você aí no Centro eu não esqueci nunca.

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Mar 24th at 8PM / tagged: Caio Fernando Abreu. cartas. / reblog / 29 notes

Mas tomo copos de leite, durmo bastante, e repito sempre que, seja o que for, vou sair desta pelo menos mais sadiozinho. Deve ter algum  processo  em  andamento  dentro  de  mim,  querendo explodir  de  alguma forma. Ou esse desgosto é já um jeito de ser? Se for assim, não quero acostumar. Se quatro anos de análise não deram jeito nele, quem dá? 

(Caio Fernando Abreu - Carta a José Márcio Penido)

Mar 23rd at 5PM / tagged: Caio Fernando Abreu. cartas. / reblog / 57 notes

“porque tudo se perde e os ventos sopram levando as folhas de papel para longe, para além das janelas entreaberta s sobre o telhado onde não restam mais migalhas para os pássaros que não vieram nunca.”

(Caio Fernando Abreu. Visita, in: O Ovo Apunhalado)
Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Feb 17th at 10PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 148 notes
Verinha, eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.  
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)   

Verinha, eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.  

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)   

Feb 12th at 3PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 174 notes

Foi então que eu o senti maior do que eu — maior porque sendo apenas um menino se atrevera  a penetrar no que me assustava, embora soubesse do irreversível do que o menino vira. Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe. Há aquele olhar de que lhe falei, e aquelas outras coisas, mas nada sei de você por dentro, depois de ver.

(Caio Fernando Abreu. Eles, in: O Ovo Apunhalado)

falsetes: Que bom que voltooou ♡♥

Muito obrigada <3 Não vou abandonar vocês novamente {:

Feb 5th at 2PM / reblog / 2 notes
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável.
(Caio Fernando Abreu. Por trás da Vidraça, in: Pequenas Epifanias)

Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável.

(Caio Fernando Abreu. Por trás da Vidraça, in: Pequenas Epifanias)

Toc, toc. Ainda tem alguém aí?

Olá, queridos.

Eu espero que ainda tenha alguém aí.

Eu sei que tenho andado mais do que ausente, por muito tempo. Mais de dois anos que eu não posto aqui com frequência, acho. É que a vida adulta meio que me atropelou. Fazer faculdade em uma cidade diferente da qual você cresceu, morar sozinha, trabalhar. É, a vida me atropelou e eu estava sempre cansada demais ou ocupada demais pra me lembrar do tanto que eu gostava disso aqui.

Mas agora eu voltei, e espero que dessa vez, definitivamente, seja pra ficar. Ainda tem alguém aí?

Desculpa.

Feb 5th at 1PM / reblog / 43 notes
ultimas-palavr5s: Seguindo*i* amei aqui C:

Muito obrigada!

Feb 5th at 1PM / reblog / 1 note
decimosetimoandar: Adorei aqui, até peguei alguns textos pra me dar um pouquinho de inspiração... KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ♥ parabéns. Sou muito fã do Caio.

Que bom! Espero que funcione {:

Feb 5th at 1PM / reblog / 1 note
feiticeiro-magnus: Apaixonada por esse Tumblr. Parabéns pelo ótimo desempenho.

Muito obrigada <3

Feb 5th at 1PM / reblog / 1 note

“Então julguei ver nos olhos dela um brilho fugitivo de lágrima muitas vezes contida, e antes de entrar pensei ainda, quase ferozmente, que bastava voltar as costas e descer correndo as mesmas escadas, sem tocar no corrimão, passar pela porta entreaberta da sala sem olhar para o piano, atravessar o corredor sem erguer os olhos para a galeria de retratos e alcançar a porta carcomida e novamente o jardim e novamente abrir o portãozinho enferrujado e sair para a rua quente de sol e de vida, mas.”

(Caio Fernando Abreu. Visita, in: O Ovo Apunhalado)
Já não sou o mesmo, como você também não é. Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Já não sou o mesmo, como você também não é. Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Oct 24th at 3PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 158 notes