Biografia. | Sobre este tumblr.

12 de setembro de 1948 - 25 de fevereiro de 1996. Santiago do Boqueirão, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Estocolmo, Londres. Dramaturgo, escritor, jornalista.

Por @odharacaroline | meu tumblr

Cartas | Pequenas Epifanias | Pedras de Calcutá | Morangos Mofados |Inventário do Ir-remediável | Os Dragões Não Conhecem O Paraíso | O Ovo Apunhalado

Pois hoje emergi calçando salto 15, ombros muito para trás, porte ereto e saia justíssima. Nariz arrebitado. Pisando duro. Pensam que vão acabar comigo? Nunca.
(Caio Fernando Abreu, carta a Jacqueline Cantore)

Pois hoje emergi calçando salto 15, ombros muito para trás, porte ereto e saia justíssima. Nariz arrebitado. Pisando duro. Pensam que vão acabar comigo? Nunca.

(Caio Fernando Abreu, carta a Jacqueline Cantore)

Jul 24th at 7PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 28 notes
Porque as cidades, como as pessoas ocasionais e os  apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas - reflete, enquanto navega. 
(Caio Fernando Abreu. O Rapaz Mais Triste do Mundo, in: Os Dragões Não Conhecem o Paraíso)
 

Porque as cidades, como as pessoas ocasionais e os  apartamentos alugados, foram feitas para serem abandonadas - reflete, enquanto navega. 

(Caio Fernando Abreu. O Rapaz Mais Triste do Mundo, in: Os Dragões Não Conhecem o Paraíso)

 

Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante — então você “pira”. Para não ter que lidar com o horror. “Porque estar vivo, verdadeiramente vivo, é horrível” — já dizia a GH (a reler) de Clarice, remember? Isso me voltou à cabeça ontem à noite. 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Maria Lídia Magliani)

Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante — então você “pira”. Para não ter que lidar com o horror. “Porque estar vivo, verdadeiramente vivo, é horrível” — já dizia a GH (a reler) de Clarice, remember? Isso me voltou à cabeça ontem à noite. 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Maria Lídia Magliani)

Jul 2nd at 11AM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 30 notes

“Até hoje, um dos meus truques para sobreviver, mesmo não sendo mulher e nem sequer tendo cabelos, foi fazer o papel de “loura burra”. Deixei passar muita agressividades muita humilhação — e não me refiro a você, mas estou farto. Fui vivendo minha vida de maneira tão solitária, conquistando minhas coisas tão no braço, tão sempre sem nada, que aprendi a ter uma enorme admiração por mim mesmo. Vou chegando muito perto dos 50 anos sem dever absolutamente nada a ninguém.”

Caio Fernando Abreu, carta a Guilherme de Almeida Prado
Jun 29th at 12PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 43 notes
— Olha, antes de ir embora eu quero dizer a você que aposto nas ameixas. Foi isso que me veio na cabeça depois que saí caminhando. E quando entrei aqui no edifício, de costas para o enterro, o tempo todo, sem olhar para trás, no elevador, na sala de espera, quando entrei e sentei aqui, o tempo todo. — Os olhos brilham mais. Nunca ela me olhou tanto tempo de frente, antes. — Eu quero, certo? Eu preciso continuar apostando nas ameixas. Não sei se devo, também não sei se posso, se é. Permitido? Sei lá, acho que também não sei o que é dever ou poder, mas agora estou sabendo de um jeito muito claro o que é precisar, certo? E quando a gente precisa, não importa que seja proibido. Querer? — Interrompe-se como se eu tivesse feito uma pergunta. Mas eu não disse nada. — Querer a gente inventa.

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— Olha, antes de ir embora eu quero dizer a você que aposto nas ameixas. Foi isso que me veio na cabeça depois que saí caminhando. E quando entrei aqui no edifício, de costas para o enterro, o tempo todo, sem olhar para trás, no elevador, na sala de espera, quando entrei e sentei aqui, o tempo todo. — Os olhos brilham mais. Nunca ela me olhou tanto tempo de frente, antes. — Eu quero, certo? Eu preciso continuar apostando nas ameixas. Não sei se devo, também não sei se posso, se é. Permitido? Sei lá, acho que também não sei o que é dever ou poder, mas agora estou sabendo de um jeito muito claro o que é precisar, certo? E quando a gente precisa, não importa que seja proibido. Querer? — Interrompe-se como se eu tivesse feito uma pergunta. Mas eu não disse nada. — Querer a gente inventa.

Só que as coisas têm a hora certa de chegar, eu sei que você sabe, e por estranho que pareça preciso ainda ser um pouco machucado pela sifilização, para que o vôo seja mais seguro, depois, e sem volta. Você sabe também que quem sobe neste avião não consegue mais voltar à terra, mas só chegarão ao destino os que não tiverem medo. Onde anda você, menina que me ensinou tanta coisa nova? 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Só que as coisas têm a hora certa de chegar, eu sei que você sabe, e por estranho que pareça preciso ainda ser um pouco machucado pela sifilização, para que o vôo seja mais seguro, depois, e sem volta. Você sabe também que quem sobe neste avião não consegue mais voltar à terra, mas só chegarão ao destino os que não tiverem medo. Onde anda você, menina que me ensinou tanta coisa nova? 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Jun 14th at 11PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 95 notes
Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela. Quando souber finalmente o que foi, essa coisa estranha, saberei também esse jeito. Então serei claro, prometo. Para você, para mim mesmo. Como sempre tentei ser.
(Caio Fernando Abreu. Primeira carta para além do muro, in: Pequenas Epifanias)

Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela. Quando souber finalmente o que foi, essa coisa estranha, saberei também esse jeito. Então serei claro, prometo. Para você, para mim mesmo. Como sempre tentei ser.

(Caio Fernando Abreu. Primeira carta para além do muro, in: Pequenas Epifanias)

May 12th at 1PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 61 notes
Ele ficou ali na minha frente, me olhando. Não me olhando propriamente, havia muito tempo não olhava mais para nada — seus olhos pareciam voltados para dentro, ou então era como se transpassassem as pessoas ou os objetos para ver, lá no fundo deles, uma coisa que nem eles próprios sabiam de si mesmos.
(Caio Fernando Abreu. Uma história de borboletas, in: Pedras de Calcutá)

Ele ficou ali na minha frente, me olhando. Não me olhando propriamente, havia muito tempo não olhava mais para nada — seus olhos pareciam voltados para dentro, ou então era como se transpassassem as pessoas ou os objetos para ver, lá no fundo deles, uma coisa que nem eles próprios sabiam de si mesmos.

(Caio Fernando Abreu. Uma história de borboletas, in: Pedras de Calcutá)

Mas a solidão, ah a solidão — é outra solidão. Ter provado outra vez desta solidão acho que me faz melhor. Ou mais humano, mais dolorido. 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Guilherme de Almeida Prado)

Mas a solidão, ah a solidão — é outra solidão. Ter provado outra vez desta solidão acho que me faz melhor. Ou mais humano, mais dolorido. 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Guilherme de Almeida Prado)

May 8th at 10PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 105 notes
Hildinha, se você soubesse como ando escuro, como ando perdido, como me distanciei de mim e das coisas em que acreditava.
(Caio Fernando Abreu, carta a Hilda Hilst)

Hildinha, se você soubesse como ando escuro, como ando perdido, como me distanciei de mim e das coisas em que acreditava.

(Caio Fernando Abreu, carta a Hilda Hilst)

May 7th at 5PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 53 notes
allynehemp: amo caio seguindo *----*
May 7th at 5PM / reblog / 2 notes

E descobri que somos muitíssimo mais capazes de suportar a dor do que supomos.

(Caio Fernando Abreu, carta a Maria Lídia Magliani)

May 5th at 5PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 134 notes
May 5th at 5PM / reblog / 2 notes
my-heart-isthine: Seguindo aqui, amei tua página.. Sou muito fã do Caio.. Parabéns pelo tumblr. ❤️❤️
May 5th at 5PM / reblog / 1 note