January 2012
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… quando se quer explicar o inexplicável sempre se fica um pouco piegas.
– Caio Fernando Abreu. Réquiem por um fugitivo, in: O Ovo Apunhalado
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E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a,...
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Mas ando de saco muito cheio com essas coisas. De repente tô trabalhando num lugar que me obriga a ir contra tudo que penso e sinto. Não sei como resolver tudo isso. Mas tudo bem, tô calmo e ponderado, embora a vontade seja de agredir todo mundo, dizer meia dúzia de verdades e sair pisando duro. Não vou fazer nenhuma loucura.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Nair Abreu)
Se você reblogou qualquer coisa no estilo de "Deus...
Eu tô de saco cheio dessa escrotice.
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December 2011
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O telefone não pára de tocar, querem entrevistas para todo canto sobre...
– Caio Fernando Abreu - Carta a Maria Lídia Magliani
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Estou ferido e cansado. Mas não ao ponto de parar de lutar pelo que, penso, seja...
– (Caio Fernando Abreu - Carta a Luiz Fernando Emediato)
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André enlouqueceu ontem à tarde. Devo dizer que também acho um pouco arrogante de minha parte dizer isso assim — enlouqueceu —, como se estivesse perfeitamente seguro não só da minha própria sanidade mas também da minha capacidade de julgar a sanidade alheia.
(Caio Fernando Abreu. Uma História de Borboletas, in: Pedras de Calcutá)
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A verdade é que voltar à terapia me tranqüiliza (ou, ao contrário, me excita) e penso não, não adianta fugir. Tenho fantasmas terríveis dentro de mim, preciso encará-los (dramática!).
Caio Fernando Abreu. Carta a Gerd Hilger
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Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto sete,...
– Caio Fernando Abreu, carta a Mário Prata
November 2011
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Apenas já não somos mais crianças e desaprendemos a cantar. As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. Seria bonito, e as...
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Enfim: estou com a vida meio suspensa.
– Caio Fernando Abreu, carta a Gerd Hilger.
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E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se...
Caio Fernando Abreu. A morte dos girassóis, in: Pequenas Epifanias.
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Tu sabes como é, a gente fica pensando aquela porção de coisas destrutivas, que nunca mais vai conseguir, que secou completamente, etc.
Carta a Hilda Hilst. Caio Fernando Abreu.
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Não sei o que dizer a ele. Não sei o que dizer a ninguém.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Luciano Alabarse)
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Não havia hora, repetiu para dentro sem entender, não havia tempo, não havia barulho, não havia gesto. Como se estivesse do lado de fora e espiasse pela janela do próprio quarto, viu um homem sentado à beira da cama e uma mulher deitada, cabeça ereta, tensa, imóvel, para sempre à espera de algo que não acontecia.
(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)
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Dei conselhos a ele, disse que admitia que cada um fizesse o que bem entendesse, mas que devia-se resguardar um limite de decência, de respeito pelo outro e por si próprio, que se deve ter uma diretriz na vida, senão fica tudo vazio, sem sentido.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Hilda Hilst)
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October 2011
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Mas acho que é besteira ficar tentando desvendar o futuro — apesar do tarot e do...
– Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun.
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xo-gio asked: É o melhor Tumblr que já poderia ter existido. Ele faz a gente se sentir tão bem né?