Biografia. | Sobre este tumblr.

12 de setembro de 1948 - 25 de fevereiro de 1996. Santiago do Boqueirão, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Estocolmo, Londres. Dramaturgo, escritor, jornalista.

Por @odharacaroline | meu tumblr

Cartas | Pequenas Epifanias | Pedras de Calcutá | Morangos Mofados |Inventário do Ir-remediável | Os Dragões Não Conhecem O Paraíso | O Ovo Apunhalado

— Alfa é meu nome — disse. 

E ele perguntou: 

— Esse é teu nome de guerra? 

E ele respondeu: 

— Não. Esse é meu nome de paz. 

(Caio Fernando Abreu. ”Eles”, in: O Ovo Apunhalado)

queridovoce-amoreu-deactivated2: Mas, afinal,Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas.” - Fernando Pessoa
Mar 27th at 9PM / reblog / 11 notes
Zézim,  ninguém  te  ensinará  os  caminhos.  Ninguém  me  ensinará  os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço  às  cegas.  Não  há  caminhos  a  serem  ensinados, nem  aprendidos.  Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay caminos. Pero el camino se hace al andar”.  
(Caio Fernando Abreu. Carta a José Márcio Penido)

Zézim,  ninguém  te  ensinará  os  caminhos.  Ninguém  me  ensinará  os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço  às  cegas.  Não  há  caminhos  a  serem  ensinados, nem  aprendidos.  Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay caminos. Pero el camino se hace al andar”.  

(Caio Fernando Abreu. Carta a José Márcio Penido)

Mar 27th at 7PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 41 notes

Se você quer ouvir, ouça. Mas não pergunte nada além do que eu direi, porque eu não saberia dizer, ou talvez não devesse , ou talvez mesmo eu chegue a dizer — por que não? Se você não quiser ou achar que estou mentindo ou que a história é desinteressante, diga logo,  você não precisa ouvir, ninguém  precisa ouvir: eu só queria que vocês soubessem que eles estão aqui, no meio de vocês, ainda que vocês não queiram ou não saibam.

(Caio Fernando Abreu. Eles, in: O Ovo Apunhalado)

E essa paranoia, essa desconfiança, esse medo do outro tem sido meu leitmotif nos últimos tempos. Vem de fora pra dentro — porque a cidade grande, o trabalho no jornal, o ninho de cobras da, aarrgh!, vida-literária só fazem aumentar isso; mas vem também — e isso é que me assusta — de dentro pra fora, de núcleos doentes, escuros e tristes existentes dentro de mim, e já vividos numa dimensão de terror semelhante à do Inquilino principalmente sob efeito de ácido. E (até quando?) sob vigilância constante, sob controle, em tratamento (eficaz?).

Caio Fernando Abreu - Carta a Luiz Fernando Emediato)

Mar 21st at 7PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 27 notes
56dias: Sigo alguns blogs que dizem ser do Caio, mas já vi tantas palavras (mal) colocadas na "boca" dele, que foi uma luz achar esse aqui. Roubaste meu afeto e minha atenção. (:

<3

Mar 3rd at 1AM / reblog / 3 notes
Não fique pensando em mim, não fique esperando nada de mim, não invente estórias. Eu preciso ficar sozinho algum tempo e deixar que naturalmente tudo se tranqüilize dentro de mim. Para então ver o que eu posso realmente dar a você ou a qualquer outra pessoa. No momento não tenho mesmo nada. Só coisas escuras. Prefiro guardar comigo. 
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Não fique pensando em mim, não fique esperando nada de mim, não invente estórias. Eu preciso ficar sozinho algum tempo e deixar que naturalmente tudo se tranqüilize dentro de mim. Para então ver o que eu posso realmente dar a você ou a qualquer outra pessoa. No momento não tenho mesmo nada. Só coisas escuras. Prefiro guardar comigo. 

(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)

Feb 12th at 7PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 111 notes

Sem conseguir evitar, novamente o médico pensou nas estrelas cadentes e nas prováveis cismas daquelas cabeças queimadas, quase uniformes em seus olhos esverdeados de sol, suas roupas esfarrapadas, seus gestos precisos e poucos , embora marcados pela  lentidão do cansaço — o cansaço dos que esperavam por um acontecimento indefinido, capaz de fazê-los movimentarem-se subitamente com mais vontade, talvez com medo. Precisavam do temor como quem precisa de um sentido.

(Caio Fernando Abreu. O Afogado, in: O Ovo Apunhalado)

Estou todo sensível, as coisas me comovem. Tenho regressões a estados antigos, às vezes, mas reajo, procuro me manter ligado às coisas novas que descobri. Mas tudo fica e se sucede — quase nunca dá tempo de você se orientar, escolher — não gosto de me sentir levado — e aqui não dá tempo.

(Caio Fernando Abreu, carta a Vera Antoun)

Feb 2nd at 4PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 223 notes

PS — (Adoro PSs: às vezes o PS é tudo numa carta). Como dizia Clarice Lispector arrematando A hora da estrela e a sua própria vida: “Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim.” 

PS 2 — Seja como for, torno a descobrir que a literatura, essa deusa-cadela, é a coisa que mais tenho amado na vida. 

PS 3 — Se Deus quiser, tudo, tudo, tudo vai dar pé. Outro beijo.  

(Caio Fernando Abreu. Carta a José Márcio Penido)

Jan 31st at 9PM / tagged: caio fernando abreu. cartas. / reblog / 35 notes
(&#8230;) recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousastes definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso bala ou pura magia, interceptou o círculo do outro. (Caio Fernando Abreu. Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

(…) recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousastes definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso bala ou pura magia, interceptou o círculo do outro. (Caio Fernando Abreu. Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

“(…) e sorrisse pensando em todos os monstros que ele carregava consigo sem jamais mostrá-los a ela, que dizia não ter tocado em nada, toda de preto, apenas aquele camafeu de marfim no pescoço (…)”

(Caio Fernando Abreu. “Visita”, in: O Ovo Apunhalado)

(Source: caiofernandoabreu)

Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.
Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.
(Caio Fernando Abreu. &#8220;O dia que Júpiter encontrou Saturno&#8221;, in: Morangos Mofados)

Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.

Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.

(Caio Fernando Abreu. “O dia que Júpiter encontrou Saturno”, in: Morangos Mofados)