Em geral tenho conseguido me manter num estado de espírito mais ou menos equilibrado. Acho que as maiores depressões já passaram. Andei chorando, ou então apático, dormindo potes. Agora consegui pegar um certo fio, eu acho, e pelo menos admitir que as coisas pareçam um pouco estagnadas até que eu volte a me situar.
(Caio Fernando Abreu - Carta a Vera Antoun)
E não sei o que dizer, Zézinho, não tô bem. Isso é uma coisa que eu posso dizer, tendo certeza dela. Mas é também uma coisa pela qual você não pode fazer nada, e de pouco adianta eu dizer. Ô, Zé, ando tão desorientado, já faz tempo. E me escondo, e não procuro ninguém, e fico mastigando a minha desorientação.
(Caio Fernando Abreu, carta a José Márcio Penido)
Caio Fernando Abreu, carta a Jaqueline Cantore
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu - Carta a Vera Antoun
(Source: caiofernandoabreu)
Eu também preciso te ver senão vou morrer de amor insatisfeito de desencontro de saudade com sede insaciada.
(Caio Fernando Abreu - Carta a Vera Antoun)
Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu, carta a José Márcio Penido
(Source: caiofernandoabreu)
Eu espero que o relacionamento de vocês se resolva da maneira que te doer menos. Não quero me atrever a dizer coisas sobre — mas, olha, evite arrastar um relacionamento moribundo. Sempre é melhor reagir, partir pra outra do que arrastar, arrastar.
(Caio Fernando Abreu - Carta a Luiz Fernando Emediato)
(Source: caiofernandoabreu)
Mas não me queixo. O amor que sinto pelos outros quase sempre é suficiente, não precisa nem ter volta.
(Caio Fernando Abreu - Carta a Luciano Alabarse)
Caio Fernando Abreu. Carta a Guilherme de Almeida Prado.
(Source: caiofernandoabreu)
E no momento — como dizer? — de certa forma eu estou gostando de estar me sentindo assim, desamparado. Porque é como um teste. Agora eu quero ver como eu me viro, entende? E sozinho.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun)
Voltei a escrever! Não vou parar nunca, por mais inútil que seja (e talvez não seja).
(Caio Fernando Abreu, carta a Nair Abreu)
Ô João, ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis, e a minha saída (uma saída gostosa) tem sido essa: a literatura.
(Caio Fernando Abreu. Carta a João Silvério Trevisan )
Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz “Deus é minha última esperança”.
(Caio Fernando Abreu. Carta a José Márcio Penido)
(Source: caiofernandoabreu)
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de “meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos,na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artraud. Ou Rimbaud. É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci/conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você, eu amo. Raramente me engano.
(Caio Fernando Abreu - Carta a José Márcio Penido)
(Source: caiofernandoabreu)