Biografia. | Sobre este tumblr.

12 de setembro de 1948 - 25 de fevereiro de 1996. Santiago do Boqueirão, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Estocolmo, Londres. Dramaturgo, escritor, jornalista.

Por @odharacaroline | meu tumblr

Cartas | Pequenas Epifanias | Pedras de Calcutá | Morangos Mofados |Inventário do Ir-remediável | Os Dragões Não Conhecem O Paraíso | O Ovo Apunhalado

(…) recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousastes definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso bala ou pura magia, interceptou o círculo do outro. (Caio Fernando Abreu. Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

(…) recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousastes definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso bala ou pura magia, interceptou o círculo do outro. (Caio Fernando Abreu. Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.
Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.
(Caio Fernando Abreu. “O dia que Júpiter encontrou Saturno”, in: Morangos Mofados)

Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.

Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.

(Caio Fernando Abreu. “O dia que Júpiter encontrou Saturno”, in: Morangos Mofados)

Ainda que nada dissesse, era sempre como se dissesse alguma coisa. E parecia tão tarde que ruído algum de automóvel perfurava o silêncio.
(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

Ainda que nada dissesse, era sempre como se dissesse alguma coisa. E parecia tão tarde que ruído algum de automóvel perfurava o silêncio.

(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente tem, temos, essa coisa, as emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não te desviares demaiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relaionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas, infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos – emoções. (Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente tem, temos, essa coisa, as emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não te desviares demaiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relaionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas, infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos – emoções. (Natureza Viva. In: Morangos Mofados)

(Source: caiofernandoabreu)

Faz tanto tempo que não bebo, tanto tempo que eu não danço. Tanto tempo, meu Deus, que eu não brinco.

(Caio Fernando Abreu. Pera, Uva ou Maçã? In: Morangos Mofados)

(Source: caiofernandoabreu)

(Caio Fernando Abreu - O dia que Júpiter encontrou Saturno. In: Morangos Mofados)

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(Caio Fernando Abreu - O dia que Júpiter encontrou Saturno. In: Morangos Mofados)

Não havia hora, repetiu para dentro sem entender, não havia tempo, não havia barulho, não havia gesto. Como se estivesse do lado de fora e espiasse pela janela do próprio quarto, viu um homem sentado à beira da cama e uma mulher deitada, cabeça ereta, tensa, imóvel, para sempre à espera de algo que não acontecia.

(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

(Source: caiofernandoabreu)

Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto.

Caio Fernando Abreu. O dia que Júpiter encontrou Saturno, in: Morangos Mofados.

(Source: caiofernandoabreu)

Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturada, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

(Caio Fernando Abreu. O dia que Júpiter encontrou Saturno, in: Morangos Mofados)

Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturada, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

(Caio Fernando Abreu. O dia que Júpiter encontrou Saturno, in: Morangos Mofados)

Entre os ramos cobertos de flores havia uma espécie de vão, uma fresta, uma porta, e eu fui entrando por ela até ficar dentro daquela coisa colorida. Era escuro lá dentro. Era cheio de galhos trançados e torturados, e muito escuro, e muito úmido, parecia assim ter feito uma grande dor ali cravada naquele centro cheio de folhas apodrecidas e flores murchas no chão. Pelo vão, pela fresta, pela porta eu conseguia ver o sol lá fora. Mas aquele lugar era longe do sol. Era uma coisa, uma coisa assim desesperada e medonha, você me entende? Então pensei em sair lá de dentro imediatamente, sem olhar para trás, mas ao mesmo tempo que queria ir embora, queria também ficar para sempre lá, e se me descuidasse, se alguma coisa mínima em mim perdesse o controle eu me encolheria ali naquele chão frio, olhando os galhos tão emaranhados que não passava nunca um fio daquela luz do sol lá de fora.

(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

(Source: caiofernandoabreu)

Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.
(Caio Fernando Abreu. Mergulho II, in: Morangos Mofados)

Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.

(Caio Fernando Abreu. Mergulho II, in: Morangos Mofados)

Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.
Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.
(Caio Fernando Abreu. O Dia Que Júpiter Encontrou Saturno, in: Morangos Mofados)

Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.

Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.

(Caio Fernando Abreu. O Dia Que Júpiter Encontrou Saturno, in: Morangos Mofados)

E sabia que ao tragar dizia ainda qualquer coisa como “está bem, se você não quer ajuda fique aí sozinho, meu bem, vou fumar o meu cigarrinho e esperar que ou você ou eu cansemos, e se você cansar primeiro, você fala, e eu cansar primeiro, durmo outra vez e amanhã acordamos e tomamos café como todas as manhãs, meu bem, e não se fala mais nisso, está o.k. assim?”.
(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

E sabia que ao tragar dizia ainda qualquer coisa como “está bem, se você não quer ajuda fique aí sozinho, meu bem, vou fumar o meu cigarrinho e esperar que ou você ou eu cansemos, e se você cansar primeiro, você fala, e eu cansar primeiro, durmo outra vez e amanhã acordamos e tomamos café como todas as manhãs, meu bem, e não se fala mais nisso, está o.k. assim?”.

(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)

(Caio Fernando Abreu - O dia que Júpiter encontrou Saturno. In: Morangos Mofados)

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(Caio Fernando Abreu - O dia que Júpiter encontrou Saturno. In: Morangos Mofados)

(Tranformações. In: Morangos Mofados)

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(Tranformações. In: Morangos Mofados)