E um artista sempre acha que as coisas podem ser ainda mais bonitas ou melhores do que são.
(Caio Fernando Abreu. O mergulho do príncipe bailarino, in: Pequenas Epifanias)
Caio Fernando Abreu. Uma história de fadas, in: Pequenas Epifanias
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu. Uma fábula chatinha, in: Pequenas Epifanias
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu. A morte dos girassóis, in: Pequenas Epifanias.
(Source: caiofernandoabreu)
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
(Caio Fernando Abreu. Na terra do coração, in: Pequenas Epifanias)
Conto para você, porque não sei ser senão pessoal, impudico, e sendo assim preciso te dizer: mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende.
(Caio Fernando Abreu. Última Carta Para Além dos Muros. In: Pequenas Epifanias)
É o único rosto vivo em volta, nunca me engano. Chega devagar, pede licença, sorri, pergunta: “E você acha que aqui também é um deserto de almas?” Não preciso nem olhar em volta para dizer que sim, aqui também. E os desertos, você sabe — sabe? — não param nunca de crescer.
(Caio Fernando Abreu. Divagações na Boca de Urna. In: Pequenas Epifanias)
(Source: caiofernandoabreu)
Já repararam como, em dias quentes e azuis na beira da praia, no Rio, todos parecem deuses? Nesse dia, pareciam. Não só as adolescentes de cintura fina e cabelos encharcados de sal, mas também as mulheres um tanto passadas, e os homens também, e até os velhos pareciam deuses cansados, mas deuses. As cores, talvez, as peles, não sei ao certo. Há sempre um toque de divino no humano em dias assim, pensei.
(Caio Fernando Abreu. Agostos por dentro, in Pequenas Epifanias)
Mas quando você pensa que um perigo medonho passou é porque outro ainda pior está vindo? Oh, Deus. E o perigo-passado realmente deixou você mais forte para o perigo-vindouro? E se só ficou o cansaço e se a amarilis desistir? E se eu desistir e for cuidar das verbenas, cravinas e amores-perfeitos que acabei de plantar?
(Caio Fernando Abreu. Aos deuses de tudo que existe, in: Pequenas Epifanis)
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu. O Desejo Mergulha na Luz, in: Pequenas Epifanias.
(Source: caiofernandoabreu)
Caio Fernando Abreu. Existe sempre alguma coisa ausente, in: Pequenas Epifanias
(Source: caiofernandoabreu)
Mas o que houve — o tropeço, o solavanco, o esbarrão, a tosse no meio da área lírica —, o que houve foi um pensamento impiedoso e exatamente assim: não faço parte disso.
Não uma dúvida, mas uma certeza. Absoluta.
Sem inveja nem mágoa, revolta ou vontade furiosa de que pudesse ser de outra forma. Secamente, definitivamente, eu não fazia parte daquilo. (…) Por razões que não sei explicar; e nem precisariam tentar ser explicadas porque eram e, pior, continuam sendo completamente indiscutíveis.
Eu não fazia parte, e pronto.
(Caio Fernando Abreu. Agostos por dentro, in: Pequenas Epifanias)
Foi então que a vi. (…) E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar — exposta, imoral, escandalosa — sem se importar que a vissem sofrendo.
Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para sua própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de neon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca-grossa da vida.
(Caio Fernando Abreu. Pálpebras de neblina, in: Pequenas Epifanias)
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um.
(Caio Fernando Abreu. Sugestões para atravessar agosto, in: Pequenas Epifanias)
Caio Fernando Abreu. Reflexões de um fora-da-lei do atrolho, in: Pequenas Epifanias.
(Source: caiofernandoabreu)